UMA ANDORINHA SÓ NÃO FAZ VERÃO
Um dia tive duas andorinhas Que belas eram elas Amáveis, receptivas, dadas aos outros Embora não vivessem em gaiolas Tinha-as como se fossem minhas Eu as amava tanto Que nem mesmo sabia a profundidade Elas me fizeram bem Trouxeram a mim tudo que é bom Tanto me cativaram Que aos seus encantos me dobrei Por vezes ficava triste Ao ver-las partir de tempos em tempos Partiam para cumprir sua missão Pois a andorinha tem que ser livre O seu limite é o céu E nele desliza com beleza e sem estresse Sem esforço Seu limiar é até onde o vento lhe leva Em terras longínquas Conhecendo diferentes povos e culturas A tudo observando Em tudo dando graças E nessa prisão construída na liberdade Recheada de vários portos A muitos cativou A muitos recheou de graça Eu fui um deles Afável andorinha Doou de si Doou da vida Ensinou a nada se apegar E com isso mostrou simplicidade Eu fui um dos que assisti a esse espetáculo Sim, eu fui um desses que tanto recebi Como se já soubesse que da andorinha pertence o céu...